Moraes Moreira

Cantor e compositor

“O Carnaval da Bahia é riquíssimo e tem a sua diversidade, mas está ofuscada pelo lado puramente comercial que virou o Carnaval da Bahia. Tornou-se uma coisa que diminuiu a imagem da cultura baiana.”

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Entrevista gravada no dia 26 de junho de 2010 no estúdio Cine & Vídeo, em São Paulo.

Moraes Moreira é músico. Começou tocando sanfona de 12 baixos em festas de São João em Ituaçu, na Chapada Diamatina, onde nasceu, em 8 de julho de 1947. Quando se mudou para Salvador, já tocando violão, conheceu os músicos que formariam os Novos Baianos em 1969: Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Baby Consuelo. A mistura de ritmos (samba, bossa nova, rock, frevo, baião, choro) e o estilo de vida comunitário e psicodélico do grupo, que duraria até 1975, influenciou toda a geração brasileira dos anos 70, com desdobramentos até hoje. O álbum “Acabou Chorare” (1972) é o disco mais importantes da história da música brasileira, segundo a revista Rolling Stone. Depois dos Novos Baianos, Moraes gravou 40 discos solo e se destacou como o primeiro cantor de trio elétrico do país, quando  gênero surgiu no Carnaval de Salvador, com o Trio de Dodô e Osmar. Em 2008, lançou o livro “A história dos Novos Baianos e outros versos”, em que conta a história do grupo em literatura de cordel.

Algumas produções de que participou

Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Baby e Moraes Moreira em foto da época dos Novos BaianosCapa do antológico "Acabou Chorare" (1972)Livro "A História dos Novos Baianos e Outros Versos" (2008)..Moraes em cima de um trio elétrico no Carnaval 2010Moraes em show do DVD do livro
Galvão, Paulinho Boca de Cantos, Baby e Moraes na época dos Novos Baianos, capa do disco “Acabou Chorare” (1972), o livro de 2008, “A História dos Novos Baianos e Outros Versos” e Moraes em dois momentos atuais: em cima de um trio elétrico no Carnaval 2010 e no show de lançamento do livro

Trechos da entrevista

(leia a íntegra)

“Então eu tinha na cabeça tudo, tanto ouvia bolero mexicano, como ouvia Luiz Gonzaga, Ângela Maria, Jackson do Pandeiro. Quando eu comecei a compôr, eu fui buscando estas lembranças. A gente tocava um cavaquinho com linguagem de guitarra, a gente misturava Jimi Hendrix com Waldir Azevedo, com Jacob do Bandolim. A gente misturava Janis Joplin com Ademilde Fonseca, do choro… E aí, com a chegada de João Gilberto e dos Novos Baianos, é que ele desperta na gente esta brasilidade que estava lá meio adormecida.”

“Eu digo que eu estou fazendo a minha transição de cantor para cantador, que inclui um compromisso muito maior com as manifestações culturais, com o conhecimento mais amplo do que é a cultura brasileira, que é muito rica. (…) Eu acho que o caminho que eu estou vendo é este, é de você deixar de ser aquele cantor convencional – ser um cantor que grava discos, que faz shows e morreu aí. Eu quero interferir na cultura, eu quero ir para as outras coisas e eu estou descobrindo essas outras coisas.”

Palavras mais faladas na entrevista

Para que se tenha uma ideia do que foi dito e destacado pelo entrevistado, utilizamos um sistema de visualização chamado “Nuvem de Palavras”. Quanto mais vezes uma palavra é dita, maior ela aparece. Para ver as nuvens de todos os entrevistados, clique aqui.

Palavras mais faladas

O que já disseram sobre ele

“Depois do café da manhã, Galvão ia compor, Moraes ficava tocando. A gente se exercitava muito, ia pra praia de bicicleta. Quando o sol estava acabando, começava o baba [pelada de futebol]. Depois do jogo, rolava um imenso banho coletivo. Não era todo mundo nu, libidinagem. Era sexo, drogas e rock’n’roll, mas tudo em casa. Diziam que a gente era sujo, piolhento, mas todo mundo tomava banho todo dia, ficava cheirosinho. Fazíamos uma refeição por dia, ‘almojanta’, e íamos tocar. Era quando se criava mais.”
Paulinho Boca de Cantor, músico e integrante dos Novos Baianos, à revista Trip (2010) http://revistatrip.uol.com.br/revista/192/reportagens/por-que-nao-viver-nao-viver-esse-mundo.html

“Sob essa brutal influência, ‘Acabou Chorare’ foi composto e gravado. A faixa-título do disco, aliás, teve como fonte inspiradora uma história que João contara a Galvão pelo telefone e que depois ficaria famosa. Quando ainda era bem pequena, sua filha, Bebel, costumava falar um idioma híbrido, misturando o português de sua terra natal com o espanhol que aprendera durante o período em que morou no México com os pais. Única filha, ela estava sempre coberta de todos os cuidados possíveis. Num escorregão que levou certa vez, quando viu que toda a família vinha para cima dela ver se ela havia se machucado, a menina disparou: ‘Acabou chorare!’. A canção ficou entre as mais tocadas nas rádios de todo o Brasil por mais de 30 semanas consecutivas. Mas o maior sucesso do disco foi mesmo ‘Preta Pretinha’, música de Moraes Moreira feita sobre os versos que Galvão havia escrito para uma menina de Niterói que o havia deixado na mão.”
Revista Rolling Stone (2009)
http://www.rollingstone.com.br/edicoes/13/textos/1246/

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Comentários (22)

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