Produção Cultural no Brasil

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Carlos Dowling

Presidente da Associação Brasileira de Documentaristas - Seção Paraíba

Íntegra da entrevista, gravada no dia 26 de junho de 2010 no estúdio Cine & Vídeo, em São Paulo (veja a entrevista em http://www.producaocultural.org.br/slider/carlos-dowling/)

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"Minha mãe conta que quando eu tinha um ano e seis meses – isso eu não lembro, é minha mãe que conta – ela me levou para ver "O Pequeno Príncipe" e ela não conseguia me tirar da sessão, então desde muito moleque eu tenho esta relação de prazer enorme com a fruição artística e, logo depois disso, teve um desdobramento por parte da criação.

Eu sou Carlos Dowling, atual presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta Metragistas da Paraíba e também segundo vice-presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta- Metragistas Nacional, da seção do que seria a ABD Nacional.

A ABD, como associação, em tempo de existência, eu acho que é a associação de mais longa data que está fazendo a articulação entre os produtores independentes. Apesar de o nome ser documentaristas, tem também curta-metragistas e, de maneira geral, engloba os produtores independentes do audiovisual. Atualmente está presente nos 26 estados do Brasil e mais o Distrito Federal. Eu acho um grande exemplo dessa articulação em rede nacional, que a ABD participa, que é o DOCTV. Ainda está para ser lançado o DOCTV 5 – eu não sei muito bem se vai ser lançado ou não – mas é um modelo que as ABDs estaduais indicam e participam dos processos de seleção e acompanhamento e é um exemplo muito bem sucedido de como essa rede nacional pode – e aí, neste caso, articulando a parceria com a TV Cultura e com a EBC, no caso a TV Brasil - ser uma das linhas principais de ação. Assim, são três linhas: uma é auxílio e produção independente, no caso dos associados e associadas; outra é a difusão, ou seja, mostrar o que está sendo feito; mas tem a terceira linha que é a capacitação no audiovisual.

Com esta abertura das TV – tanto municipais, estaduais e da rede pública de televisão – surge uma demanda natural também e é como estabelecer esta relação dos produtores de conteúdo independente audiovisual com estas redes de televisão. Eu acho que está é uma linha muito importante, e mais do que insistir num mercado que, historicamente, no caso da Paraíba, não tem muita resposta, eu acho que é investir nestes novos e na formação destes novos campos de trabalho.

João Pessoa tem uma relação um pouco complicada com a auto-estima - diferente de, por exemplo Recife. Quem é de Recife, que é um exemplo muito próximo, que é uma coisa que você nota: quem é de Recife tem muito orgulho. Na Paraíba, a relação não é da mesma equivalência, mas eu acredito que temos um processo de encontrar um pouco esta estima local. O próprio conceito do Pontão que é da Rede Nordestina é, de alguma forma, estimular e dar uma continuidade a esta articulação regional. Apesar de ter uma série de características próprias do Nordeste, tem uma série de diferenças de cada cidade-estado, então é importante conhecer melhor. Eu acho que o primeiro movimento é isso, é de fazer com que os estados do Nordeste conheçam a produção e, no caso específico do nosso plantão, é a produção audiovisual de cada estado.

Uma das principais ações do portal de cultura da rede de ensino audiovisual é trabalhar especificamente com a distribuição, tendo a distibuição física – através de DVDs – e também na distribuição deste conteúdo semelhante por um portal de compartilhamento de intercâmbio na rede mundial de computadores. Então também é nesta lógica de utilizar estas novas tecnologias e estas redes do mundo computacional para facilitar esta distribuição que é um dos grandes problemas da produção do conteúdo audiovisual. Chegamos a um momento que temos a produção de médio ou grande porte, mas que não consegue ser exibida. Eu acho que são linhas muito importantes de atuação, tem que ser resolvido isso. [Nada!]"