Esta entrevista faz parte do projeto Produção Cultural no Brasil. Alguns direitos reservados.
Íntegra da entrevista, gravada no dia 30 de maio de 2010 no estúdio Cine & Vídeo, em São Paulo (veja a entrevista em vídeo clicando em http://www.producaocultural.org.br/2010/08/17/thomaz-farkas/)
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Bom, meu nome Thomas Farkas, eu sou fotógrafo, cinegrafista, fiz filmes e faço fotografia e isso há 86 anos, que eu tenho. Olha, eu entrei na Fotoptica e eu já estava na Escola Politécnica e de manhã cedo ia para a Fotoptica trabalhar e atender a clientela. E o cinema entrou logo porque, como a Fotoptica tinha equipamento, eu peguei o equipamento e comecei a trabalhar: filmava, revelava, mandava revelar – era preto e branco, depois colorido - e eu me dediquei muito ao que existia no Brasil, quer dizer, tanto pessoas, como o interior do Brasil (com visitas em vários lugares e reportagens que eu fazia)... Então era uma coisa muito pessoal. Quando a gente vendeu a Fotoptica, eu fiquei com uma parte pequena de dinheiro, muito pequena, mas serviu para eu começar a minha vida. Aí eu mexi com fotografia, mexi com cinema, mas nunca fui repórter. Eu não sou uma pessoa que ganhou dinheiro com isso, eu ganhei muita experiência, agora dinheiro não foi por aí.
A Revista Fotoptica nasceu comigo. Nós começamos a fazer a Revista Fotótica porque era um meio de promover a fotografia, promover a firma. Fizemos cento e tantos números desta revista, eu tenho isso arquivado. E era uma coisa muito interessante, muito produtiva e a revista era muito... Como é que eu vou dizer?... Era universal, dada a fotografia ao cinema, que era o que nós trabalhávamos, e ótica. Então nestes três caminhos é que a gente trabalhava.
Ah, você me faz cada pergunta! Caravanas Farkas era o que a gente corria o Brasil inteiro. Eu tinha uma C14 com uma plataforma em cima que a gente filmava. Daí nós percorremos o Brasil todo filmando, fotografando e fazendo uma espécie de cobertura interessante sobre o Brasil e as pessoas e os costumes e os usos, como que era o Brasil, isto do ponto de vista cultural, econômico e físico. Eram três ou quatro pessoas que trabalhavam juntas, tinha o motorista do carro que geralmente fazia som, depois tinha eu - eu fazia a direção -, tinha um fotógrafo e um cara de som. Quer dizer, umas três pessoas que revezavam neste trabalho. O projeto alcançava muita gente, então cada lugar que a gente ia a gente levava alguém, ou do lugar – se fosse do nordeste levava alguém de lá, se fosse do sul, levava alguém do interior, então eu trabalhava com muita gente que era colaborador. O diretor da brincadeira era eu, eu é que manobrava as coisas, mas não dirigia todos os filmes; dirigia alguns, mas não dirigia todos. Então o pessoal todo que você falou veio trabalhar conosco. Não, não tinha muita gente, não. (Aí, não lembro, não lembro, você me pergunta cada coisa que eu não vou lembrar).